23 de Setembro, 2025

Oiiii! Bora para mais uma???

Nesta edição vamos falar sobre:

💬 O espaço que nos pertence

📺 O que a Bluey vem ensinando em nossas casas

🥦 Brócolis Digital

🍎 Reflexão de autocuidado

🤪 Você não está maluca: culpa materna

💬 Bora falar sobre isso…

O espaço que nos pertence.

A entrada na maternidade é, ao mesmo tempo, uma experiência de amor radical e um mergulho em desafios que parecem se multiplicar dentro do ritmo acelerado do século XXI. A mãe assume, de forma quase automática, a responsabilidade integral pelo cuidado do filho, mas raramente assume, com a mesma firmeza, a responsabilidade pelo cuidado de si mesma.

Existem inúmeras barreiras, internas e externas, que impedem a mãe de reservar espaço significativo para o próprio bem-estar. A cultura da exaustão, a romantização do sacrifício, a cobrança social e até as nossas próprias culpas silenciosas nos convencem de que cuidar de nós é secundário. Mas esse descuido tem um preço, pago em forma de sobrecarga, ressentimento, desgaste emocional e até uma sensação de perda de identidade.

O autocuidado materno não é luxo, nem capricho. Ele é requisito para a saúde mental da mãe e para a qualidade da relação com a criança. É o oxigênio que sustenta a paciência, a criatividade e a capacidade de amar sem se perder no processo. Ainda assim, não é tema de alta consciência. Nem entre as próprias mães, nem na sociedade em geral.

Precisamos avançar em um movimento coletivo de mudança: transformar a percepção sobre o autocuidado, tornar acessíveis ferramentas práticas e construir uma rede de apoio que legitime esse espaço. Porque não se trata apenas de mães mais descansadas, mas de mães inteiras, presentes e emocionalmente sustentadas.

Então, como começar a encher o nosso tanque sem culpa? Não precisa ser nada grandioso; pequenos gestos já fazem diferença e, com o tempo, se acumulam:

Reserve momentos só seus: cinco minutos de silêncio, um banho mais longo, uma xícara de café sem pressa, uma caminhada curta. São pequenos atos que dizem ao seu corpo e à sua mente: “você importa”.

Diga “não” sem peso: proteger seu tempo e sua energia não é egoísmo. É a base para você poder estar inteira com quem depende de você.

Crie rituais que nutram você: pode ser ler, escrever, dançar, meditar ou simplesmente olhar o céu. Esses rituais lembram que sua vida não se esgota na maternidade.

Compartilhe e peça apoio: abrir espaço para que alguém ajude, mesmo que pouco, multiplica sua energia e permite que você se conecte consigo mesma.

Te faço um convite… refletir sobre o próprio tanque não é só reconhecer cansaço; é reconhecer o direito e a necessidade de existir além da função de mãe. Quando cuidamos de nós, nosso amor e nossa presença se tornam mais profundos, mais pacientes, mais genuínos e isso é um presente para toda a família.

Pequenos cuidados geram grandes mudanças

📺 O que eu venho aprendendo com a BLUEY e por que esse é o programa mais indicado se você for dar telas (na minha opinião)

Se tem um desenho que eu realmente indico quando o assunto é “tempo de tela”, é Bluey. Não é à toa que virou um fenômeno mundial e, na minha opinião, é o programa mais rico que você pode oferecer para os seus pequenos.

Eu confesso que comecei assistindo pela curiosidade e pelo hype, todas aquelas mil listas e reels dizendo “quais os melhores desenhos de baixo estímulo para oferecer aos nossos filhos”, Bluey está em todas as listas, sem excessão. Então fui dar uma chance. E sim é um desenho mais lento com baixos estímulos. Mas o que me pegou mesmo foi olhar para além do óbvio e das gracinhas dos personagens, prestar atenção nas mensagens por trás de cada história.

Ao me aprofundar, descobri um estudo feito na Austrália que analisou 150 episódios de Bluey e descobriu que metade deles tem um tema em comum. Mais de metade dos episódios de Bluey falam sobre resiliência. Então apesar de ser um desenho para entreter, é também um desenho para ensinar como nós podemos lidar com os desafios da vida. Bluey incentiva de forma incansável às crianças a se desafiarem, a construírem sua autoconfiança, seu auto respeito, a praticarem empatia e a resolução de problemas.

E para mim esse é o ponto central: a cada episódio o programa ensina que todas essas são habilidades que não nascem prontas. Precisamos construir dia após dia, desafio por desafio. “Criar resiliência” é um processo bagunçado com erros e acertos e Bluey consegue traduzir isso de um jeito leve, divertido e acessível até para as crianças pequenas, o que abre espaço para conversas importantes sobre frustração, confiança, paciência e crescimento.

No fim das contas, cada cena ajuda a explicar alguma situação da vida real. Seja um balão estourado no Keepy Uppy ou a Pom Pom tentando sem desistir subir na gangorra, tudo vira um gancho pra falar de sentimentos e ensinar que tropeços também fazem parte.

E o mais legal? Além de ensinar para a pequena, tenho a oportunidade de relembrar e reaprender conceitos importantes.

🔍 Maternidade & Ciência: Vamos falar sobre tempo de tela?

Hoje existe uma busca ativa, e super válida, para reduzir o tempo de telas das crianças. Isso é importante, porque a exposição excessiva realmente pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo, físico e até emocional. Mas eu gosto sempre de lembrar: existe, sim, uma margem saudável e até positiva para o uso de telas, desde que respeitada a idade da criança, o conteúdo e, claro, o equilíbrio.

📌 Relembrando os guidelines principais:

  • Antes dos 18 meses, a recomendação é zero telas, com exceção de chamadas de vídeo.

  • A partir dos 2 anos, já é possível introduzir tempo de tela de forma gradual, com expansão progressiva conforme a idade.

  • Dos 2-5 anos o limite sugerido para o uso de telas é de até 1 hora.

Ou seja: não se trata de demonizar as telas, mas de entender o quanto de espaço é saudável elas ocuparem na vida do seu filho. Criança precisa de muita brincadeira livre, atividades físicas, interação real e tempo criativo do que de tempo digital. O que faz mal não é a tela em si, mas o excesso e a falta de filtro no conteúdo.

E quando bem escolhidas, as telas podem trazer benefícios interessantes. Vem comigo que vou te dar algumas idéias de como utilizar o tempo de tela de forma positiva.

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💡 Idéias criativas de como utilizar telas no dia-a-dia:

  1. Utilize as telas para contribuir na socialização: Insira chamadas de vídeo com tios, primos e avós no dia-a-dia da criança. Aproxime a parte da família que vocês encontram com menos frequência como forma de desenvolvimento de linguagem e familiarização.

  2. Estimule o pensamento crítico: Jogos de estratégia, quebra-cabeças digitais e até versões online de jogos de tabuleiro ajudam a criança a desenvolver resiliência, raciocínio lógico, tomada de decisão e criatividade na resolução de problemas.

  3. Incentivo a criatividade: Utilize jogos e ferramentas de artes para a criança desenhar, pintar e construir online. Permita que o seu filho use o seu celular para tirar fotos — foque na PRODUÇÃO de algo vs. o consumo passivo é uma chave importante para um uso de tela menos nocivo. Incentive sempre a produção.

  4. Preparação escolar: Utilize livros interativos e jogos de letras, matemática e raciocínio lógico como forma lúdica de introduzir conceitos que serão aprendidos mais tarde na escola.

  5. Desenvolvimento motor: Alguns jogos e aplicativos ajudam a trabalhar coordenação motora e coordenação olho-mão.

    Para crianças com necessidades especiais, esses recursos podem até ser uma ferramenta de apoio complementar inclusive na forma de comunicação.

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🤓 Por fim, aqui vão algumas dicas práticas para o melhor uso possível das telas:

  1. Utilizem as telas juntos: Mais do que estar do lado, participe. Comente, pergunte, brinque com o que aparece na tela. Se estão vendo um episódio sobre acampar, conversem sobre como seria se vocês fossem acampar também.

  2. Escolha conteúdos adequados que desafiem: Nem muito fáceis, nem muito difíceis. Bons conteúdos trazem novas palavras, situações e aprendizados. Sempre com a sua ajuda para elaborar o que foi visto.

  3. O pause é o seu maior aliado: Não tenha medo de pausar um vídeo ou uma música para repetir junto, cantar mais devagar ou fazer os gestos com seu filho. Esse tempo de assimilação é ouro no aprendizado.

  4. Determine de forma antecipada quando e onde as telas serão permitidas: limites claros são necessários para o uso mais saudável possível.

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O resumo é simples: equilíbrio é tudo. Pense nas telas como na nutrição da sua criança. Existem os “brócolis digitais” (conteúdos educativos, criativos, construtivos que estimulam a produção e o pensamento lógico) e existe o “sorvete digital” (vídeos rápidos, passivos e sem propósito que é gostoso mas não agrega).

Um pouquinho de sorvete faz parte, mas a base precisa ser sempre nutritiva 😉

💌 Se cuida!

Quero aproveitar a sessão “se cuida” de hoje para me aprofundar no que disse no começo dessa news. Após assistir um vídeo da Dr. Becky que me trouxe diversas reflexões, quero compartilhar a importância desse conteúdo com você.

Zele pelo espaço e pelo tempo que te pertence. Muitas vezes esperamos partir do outro a permissão para termos esse tempo para nós. Esperamos do marido, da rede de apoio… que digam: vai lá, eu seguro as pontas. Mas isso nem sempre acontece. E quando isso não acontece, devemos ativamente comunicar essa necessidade sem culpa. Você precisa encher o seu próprio tanque.

Muitas vezes pensamos em autocuidado como luxo, como se fosse um banho relaxante ou um momento que “um dia” vamos conseguir ter. Mas a verdade é que, se o seu copo estiver vazio, tudo o que vem depois: filhos, parceiro, trabalho, casa, fica mais pesado. Você acorda cansada, se irrita com facilidade, e aquela paciência que você quer ter simplesmente não aparece. Cuidar de si não é egoísmo, é o que nos permite estar inteiras e presentes para tudo o que importa.

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🤪 Você não está maluca!

Tema de hoje: Culpa materna.

Se você é mãe, provavelmente já sentiu aquele aperto no peito ao pensar:

“Será que estou fazendo o suficiente?”, “será que estou falhando com meu filho?” ou “será que vou traumatizar a minha criança?”. Quero que você saiba uma coisa: você não está maluca. Esse sentimento tem explicação, e não é só psicológico, ele tem raízes biológicas também.

Do ponto de vista evolutivo, a culpa materna funciona como um mecanismo de proteção. Nosso cérebro nos mantém alertas às necessidades dos filhos, nos incentivando a cuidar, proteger e estarmos o mais presentes o possível como ordem biológica de proteção à espécie.

Mas se antes essa culpa era um impulso saudável e pontual, hoje ela vem bem amplificada. Por quê?

Comparações constantes: Redes sociais mostram apenas mães perfeitas e crianças felizes, criando um padrão irreal que ninguém consegue alcançar.

Acúmulo de papéis: Além de cuidar dos filhos, muitas de nós equilibramos trabalho, casa e relacionamentos, e isso naturalmente aumenta o estresse e a sensação de culpa.

Romantização do sacrifício: Ainda existe o mito da mãe que se doa totalmente, que coloca o filho acima de tudo e ignora suas próprias necessidades. Esse padrão silencioso nos pressiona sem dó (e é zero produtivo como vimos hoje).

E essa culpa tem impacto real: estudos mostram que ela está ligada a mais ansiedade, estresse e até depressão pós-parto. E criarmos consciência para nos desvencilharmos disso é muito importante.

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A grande lição aqui é dupla:

  1. A culpa é uma resposta natural: Seu cérebro está programado para se importar profundamente com seu filho. Ela não é sinal de que você está falhando, mas um alerta de que seu filho é “algo” importante mesmo.

  2. Você pode transformá-la em cuidado e autocompaixão: Reconhecer os gatilhos, praticar gentileza consigo mesma e buscar apoio são passos que ajudam a equilibrar a culpa e transformar o sentimento em aprendizado e presença.

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Por fim, você não está maluca Seu sentimento é real e válido, e existem formas de lidar com ele de maneira saudável e consciente. Conversar com outras mães, amigas ou profissionais, praticar autocompaixão e criar pequenos momentos para si mesma são formas de apoiar sua saúde mental, fortalecer seus vínculos familiares e se sentir mais confiante em todos os seus papéis.

kkkkrying quem ai se identifica?

Se você chegou até aqui, obrigada por compartilhar pensamentos, desabafos e risadas comigo! ♥️

Tenha uma boa semana e até o nosso próximo momment!

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