
Hey mamis! Cheguei hoje com muito pano pra manga para abordarmos *all things maternidade* esteja você tentando, grávida, puérpera, nos terrible twos ou com crianças que já não são mais tão bebês (no fundo sempre serão) somos todas sobreviventes, em busca do melhor para eles — e para nós também 💌
Pensa comigo… 💭
Hoje nossa news vai ser um pouco diferente pois estou reflexiva, essa edição vai ser um pouco mais densa do que o costume, digamos assim. Mas vem comigo que vale à pena!
Essa semana eu terminei aquele livro “Geração Ansiosa” e, além de tudo, ouvi um podcast muito legal com o autor que me gerou diversos pensamentos que quero compartilhar com vocês.
Um dos pilares dessa newsletter sempre foi simplificar a informação — filtrar o que importa, pra que a gente não se afogue no excesso. E justamente por isso, um dos pontos que mais me marcou foi o que o livro diz sobre… excessos.
Não é incomum vermos hoje crianças de 1, 2 e 3 anos com agendas cheias. Existe uma cobrança implícita para preenchermos as janelas (durante o período que o bebê está acordado) com atividades "úteis", com a promessa de que essas atividades são indispensáveis para um bom desenvolvimento do bebê. E não me leve a mal… claro que prover estímulos é algo bom. O problema são os excessos. Ou quando uma mãe que não tem algum recurso, seja esse financeiro, de tempo ou emocional para suprir essa demanda sente que está falhando por não preencher a agenda da criança.
Mas escrevo aqui não somente para essas mães que por algum acaso não teem os recursos para suprir a demanda de aulinhas e atividades infinitas disponíveis hoje em dia. Escrevo também para as mães que teem os recursos mas que se descabelam muitas vezes para conciliar agendas pois teem a certeza de que as aulinhas de música, de estímulo sensorial, natação, gym, inglês, etc. São indispensáveis para um bom desenvolvimento (não julgo… a agenda da minha bebê já foi bem lotada de segunda à sexta-feira).
Onde eu quero chegar?
Onde eu quero chegar é que no meio desse cronograma corrido, esquecemos do essencial. Esquecemos de deixá-los simplesmente ser.
Ser criança é brincar sem roteiro, se entediar, inventar mundos, cair e levantar. Inclusive sem ter que ser entretido ou guiado o tempo todo. E tudo isso, segundo Haidt, é essencial para o desenvolvimento emocional e cognitivo. Talvez até mais do que uma agenda lotada de segunda a sexta. Mas a pressão por performance começa cada vez mais cedo — hoje, literalmente aos seis meses de idade. E nós, querendo acertar, muitas vezes caímos numa armadilha invisível: a de tentar “super capacitar” nossos bebês antes mesmo deles aprenderem a engatinhar. E o quanto essa agenda cheia pode ser no fim prejudicial.
Desde a primeira semana de vida já existem “atividades para estimular o desenvolvimento cognitivo” disponíveis — sendo que, sejamos honestas, isso definitivamente não deveria ser a prioridade na primeira semana de vida de um bebê 😅
Será que tudo isso é mesmo necessário? Ou será que o tédio, o espaço livre, o tempo ocioso (mesmo nos bebês pequenos) — aquele que a gente quase teme — é justamente o terreno onde nascem a criatividade, o raciocínio lógico e a tolerância à frustração?
Então, o que você sugere?
Então, mergulhei no mar de informações que existem e fui atrás do essencial para trazer aqui. O que a ciência sabe hoje e o que diz sobre o desenvolvimento dos nossos bebês e crianças. Existe alguma atividade que seja indispensável para o desenvolvimento cognitivo do meu filho? Alguma que não vale a pena eu ignorar ou deixar para lá?
A resposta é: sim!
Existe uma prática simples, poderosa e subestimada que a ciência comprovou como altamente benéfica para o desenvolvimento cognitivo da crianças: a leitura.
No meio de tantas incertezas sobre telas, brinquedos, inglês para bebês... a leitura se mantém como uma das poucas práticas com impacto real e mensurável no desenvolvimento cognitivo infantil (Posso falar mais depois sobre outros aspectos indispensáveis mas que envolvem mais estrutura básica de saúde como por exemplo: ingestão razoável de nutrientes e uma figura adulta de confiança).
Se for ler uma única coisa, leia isso daqui!
Diversos estudos mostram e comprovam que crianças que leem (ou que têm adultos que leem para elas) desenvolvem vocabulário, memória, fluência verbal e até QI de forma mais consistente. E isso foi comprovado em estudos fora, mas também aqui no Brasil. Um estudo realizado no Brasil envolvendo 586 famílias mostrou que, apenas com incentivo e acesso a livros, crianças apresentaram melhorias mensuráveis em linguagem, memória e até “inteligência”. Diferente de outras atividades infantis que ainda não teem nenhum respaldo científico que comprove benefícios reais.
Por fim…
Escrevo isso com todo o carinho do mundo — e zero julgamento para quem lota a agenda dos filhos com a melhor da intenções (já fui essa pessoa). Mas quero trazer aqui fatos seguros que facilitem nossas vidas e talvez cessem um poco da culpa.
A verdade nua e crua é que fazer o básico constantemente tem uma força que vai muito além de fórmulas mirabolantes. Dar espaço (tempo livre e espaço físico mesmo) + ler todos os dias tem se provado ser a “fórmula mirabolante” que tanto buscamos.
E se você ainda não leu o Geração Ansiosa, recomendo demais. Vai te fazer pensar sobre muita coisa — inclusive sobre como podemos criar filhos emocionalmente mais resilientes em tempos incertos.
Dá para falar sobre isso? 💥
Toda edição, um tema “polêmico”. Na próxima, as respostas da comunidade. Vou trazer também alguns fatos e dados sobre o assunto (sim sou uma mãe nerd 🤓 para que você não precise ser!)
💬 Tema da semana: Mães e trabalho - você se arrependeu de ter voltado a trabalhar ou de repente de não ter voltado?
Separei dois relatos aqui para lermos juntas:
M.: Não voltei a trabalhar depois que minha filha nasceu. No começo, achei que seria só por um tempo… mas o tempo foi passando, e agora já vai fazer três anos. Foi uma escolha que fiz e não me arrependo. Eu queria estar presente, acompanhar tudo de perto apesar de ter ajuda. Mas, ao mesmo tempo, morro de medo de não conseguir mais me recolocar no mercado(financeiro). Tenho a sensação de que fiquei pra trás e que perdi espaço. E isso me angustia muitas vezes. Sempre me pego pensando se fiz o certo? Será que dá tempo de voltar? kkkk
T.: Mandei meu filho pra creche com quatro meses pq era o fim da licença e eu precisava voltar. Não só pelo dinheiro, mas pq meu trabalho exige muito. E eu até gosto de estar ali, me sinto útil. Mas doeu. Até hoje sinto que não vivi direito aquele comecinho com ele. Agora estou grávida de novo, de cinco meses, e só de pensar em passar por isso de novo me dá um nó na garganta. Eu queria tanto poder ficar mais dessa vez… mas não sei como fazer isso acontecer. Me sinto totalmente dividida. Além de sentir culpa em possivelmente dar algo para o segundo filho que não dei para o primeiro.
— ♥️ —
Bom, então vamos aos fatos? Espero assim te ajudar a se munir de informações para tomar a melhor decisão (melhor decisão = o que funciona melhor na sua casa).
🍼 Mãe e trabalho externo: o que é mito, o que é verdade e o que a ciência realmente sabe sobre isso até o momento presente
👍🏼 Possíveis benefícios do trabalho externo para mães:
Autonomia financeira. Estabilidade econômica importa — e muito. Um estudo publicado no Journal of Family Psychology mostrou que mães com segurança financeira relataram níveis menores de estresse e maior satisfação geral com a maternidade.
Resgate da identidade. Voltar ao trabalho pode ajudar muitas mães a se reconectarem com quem eram antes do bebê nascer. Um levantamento da Harvard Business Review mostrou que mães que valorizam o trabalho como parte de sua identidade pessoal têm níveis mais altos de bem-estar psicológico no puerpério.
Rede social ativa. O ambiente de trabalho pode quebrar o isolamento típico da maternidade, algo que pesa muito no puerpério. Segundo um estudo da Universidade de Cambridge, inclusão social é um dos fatores mais protetores contra depressão pós-parto.
👎🏼 Possíveis malefícios do trabalho externo para mães:
Culpa materna. Essa é quase onipresente. com mais de 10 mil mães americanas mostrou que 69% sentem culpa por trabalharem fora, mesmo gostando do trabalho.Uma pesquisa
Esgotamento físico e mental. A carga dupla é real. Dados do IBGE mostram que mulheres brasileiras dedicavam em média 21,3 horas semanais a afazeres domésticos ou cuidados com pessoas (pais e filhos), enquanto os homens gastavam apenas 11 horas — uma diferença de mais de 10h por semana .
Amamentação e rotina. O retorno ao trabalho pode interferir na amamentação exclusiva e aumentar a dificuldade de manter uma rotina previsível para o bebê. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o desmame precoce ainda está fortemente relacionado à falta de políticas adequadas de apoio no ambiente de trabalho.
Menos tempo junto. Isso dói — especialmente nos primeiros meses. Um estudo da Unicef mostra que os dois primeiros anos de vida são críticos para a formação de vínculos. ⚠️ Mas atenção: A maioria do que tem de informação técnica de psicologia e desenvolvimento infantil diz que o tempo de qualidade (com presença, afeto e segurança) conta mais do que a quantidade de tempo. Apesar de existirem sim autores que defendem que a quantidade de tempo também é um fator importante.
❌ Mitos e verdades:
“Quem volta a trabalhar perde o vínculo com o filho.”
🧠 FALSO. Vínculo é construído com previsibilidade, afeto, disponibilidade emocional — não com tempo absoluto.
“O bebê sofre muito se for pra creche cedo.”
🤔 DEPENDE. O que realmente importa é a qualidade do cuidado, a presença de adultos afetuosos e a estabilidade da rotina.
“Mães que não voltam a trabalhar estão se anulando.”
⚠️ GENERALIZAÇÃO ALERT. Tem mãe que encontra plenitude em ficar em casa — e tudo bem também. Ser mãe não deveria ser uma disputa de narrativa!
— ♥️ —
No fim das contas o que realmente importa é que a decisão faça sentido para sua família e que seja decidido com consciência. E consciência vem de informação, não de julgamento. O que funciona é o que faz sentido dentro dos recursos que você tem, com o apoio que você consegue — e com uma dose de carinho com você mesma.
— ♥️ —
E o tema da semana que vem: Fórmula infantil - o dilema entre aleitamento exclusivo e introdução de fórmula. Você teve alguma questão com isso por ai?
📩 Responde a esse e-mail com o que você viveu ou pensa — e na próxima edição, a gente continua essa conversa entre mães. Sem julgamento.
💌 Se cuida!
Hoje vim com uma dica que testei semana passada e simplesmente amei! De novo no âmbito da saúde mental.
Contexto: uma grande amiga vai casar em Agosto e ✨good vibes✨ do jeito que só ela é… decidiu marcar a sua despedida de solteira em uma Sexta à noite com as melhores amigas no meu novo lugar favorito de sp!
D.A.M (desligue a mente) é um cantinho no complexo do Cidade Jardim que oferece diversos cursos de artes e técnicas manuais; pintura, bordado, escultura, e afins… e eu simplesmente fiquei apaixonada! Voltaria literalmente todos os dias. Eles oferecem cursos, workshops e realizam eventos. Fora os snacks que são de babar!
Além do que… é comprovado cientificamente que técnicas manuais são boas para nossa saúde mental por nos colocarem em um nível de atenção plena. Então fica a dica!

👻 Você não é maluca! 👻
Edição de hoje: Choro fantasma!
Vamos imaginar juntas… Bebê dormindo, você entra no banho. A água começa a cair. Passa dois segundos, você ouve o seu bebê chorando.
Você sai do chuveiro, se embrulha na toalha caóticamente e corre pra acudir.
Nada.
Silêncio.
Era só... o seu cérebro te pregando uma peça.
Se isso já aconteceu com você (e eu aposto que sim), saiba que você não está maluca, está conectada demais.
Essa “alucinação auditiva” é mais comum do que parece — e tem até nome: 👻 choro fantasma 👻. Segundo reportagem recente do Financial Times, cerca de 60% das mães ouvem o choro do bebê mesmo quando ele está dormindo e não está chorando.
Mas o que causa isso?
O chora fantasma é um alarme neural que se ativa, resultado da combinação entre excesso de vigilância, privação de sono e ansiedade materna.
E não, isso não significa que você está maluca. Isso acontece porque, no puerpério, o sistema nervoso fica mais sensível a certos sons e estímulos — especialmente ao choro do bebê, que ativa automaticamente áreas ligadas à atenção, ao estresse e à empatia.
✨ Em outras palavras: seu corpo está te dizendo “cuida dele”, mesmo quando não precisa
Então, da próxima vez que você jurar que ouviu seu filho chorando no banho, no mercado ou no meio da madrugada e descobrir que não — respira fundo.
Não é loucura. É o seu cérebro que mudou de configuração.

Ufa! Edição densa para digerir.. mas como sempre… se essa edição te fez sentir um pouco menos sozinha ou um pouco mais informada - já valeu!
Responda a esse e-mail se tiver dicas, comentários, dúvidas… quero te ouvir. E se conhecer alguma mãe que pode gostar do nosso papo, convide ela para essa conversa compartilhando essa news.
Nos vemos no nosso próximo momment 💌
Com carinho,
Vi